O futuro da auditoria e o auditor do futuro

Vitor Mendes Santos

Vitor Manuel Mendes Santos, Audit Partner, 10/11/2018.

 

O futuro da auditoria e o auditor do futuro

As mudanças em  auditoria estão a um ritmo sem precedentes.

Por um lado temos a evolução tecnológica e por outro as expetativas dos clientes. A questão que se coloca é como a introdução da tecnologia no processo de auditoria vai contribuir para ir ao encontro das expetativas dos clientes garantindo a qualidade de auditora desejada. Os clientes e o mercado em geral assim o vão exigir. Os dias em que os auditores simplesmente observavam o historial da empresa e  se concentravam nas demonstrações financeiras e na conformidade com os normativos contabilísticos já lá vão.

Para atender às necessidades de auditoria do futuro, os auditores devem:

  • Estar atentos à evolução da tecnologia e das alterações do ambiente regulatório;
  • Ter um pensamento crítico e fortes competências de comunicação;
  • Entender completamente a indústria do cliente e quais as suas vantagens competitivas no contexto;
  • Desenvolver relacionamentos de longo prazo com clientes e outras partes interessadas, com base na integridade, franqueza, profissionalismo, objetividade e sua capacidade de compartilhar perceções valiosas com base nesses recursos;
  • Olhar para a frente e fornecer Insights sobre futuros desafios e oportunidades.

Independentemente das alterações a que a auditoria vai estar sujeita, para além das competências técnicas de auditoria, contabilidade, informática, estatística, entre outras, existem competências exigidas aos auditores que formam a base sobre a qual todas as auditorias – passado, presente e futuro – são construídas.

Aqui estão cinco competências que consideramos essenciais:

 

  1. Competências de Comunicação.

A comunicação verbal e escrita  é uma das principais competências que os auditores de futuro devem possuir. A capacidade de articular um ponto de vista claro sobre os problemas, transmitir claramente pensamentos, ideias e sugestões seja em reuniões, apresentações, ou através de relatórios, estes constituem, a par das competências em matérias técnicas e tecnológicas uma forte mais valia para os auditores.

     2. Inteligência emocional.

A auditoria é um processo de alto nível de stress, é uma luta contra o tempo e com uma sobrecarga de imenso trabalho num contexto por vezes de ambientes desorganizados e que gera uma grande ansiedade na deteção de erros e fraudes. Neste ambiente é necessário manter o foco na precisão da auditoria. A inteligência emocional melhora a qualidade da auditoria. A influência moderadora da inteligência emocional é um mecanismo significativo que modera os efeitos de diferentes tipos de pressão sobre os julgamentos dos auditores.

       3.Pensamento crítico e perspicácia nos negócios.

Isso equivale à análise objetiva e avaliação das informações e factos contidos em uma auditoria que pode produzir ações ou, em muitos casos, as questões que os inspiram.

Os auditores devem fazer as perguntas certas e recomendar ações que evidenciam o seu conhecimento sobre o setor em que o cliente está inserido bem como  a sua  organização funciona. De acordo com essa capacidade de fazer as perguntas certas, um auditor também precisa ter perspicácia nos negócios e ser capaz de relacionar os pontos, trazendo lições de sua própria experiência, para ajudar um cliente em particular.

      4. Ceticismo profissional.

Para melhorar a qualidade e a transparência da execução de um trabalho de  auditoria é necessário que exista um  pensamento cético, contudo adequado no sentido de evitar preconceitos de julgamento. Nem tudo está errado e nem sempre os auditores necessitam de seguir cuidadosamente a cadeira de evidências de auditoria para garantir que tudo está certo e conforme.

Acima de tudo, o ceticismo profissional exige força de caráter para evitar trabalhos desnecessários, quando algo parece errado. Para produzir uma auditoria de alta qualidade, os auditores devem demonstrar ceticismo profissional, colocando questões aos clientes de maneira objetiva e construtiva.

     5.Competências Interpessoais

Por toda a perspicácia técnica, conhecimentos de conformidade e validações e de exatidão numérica, na sua essência, a auditoria é também um processo de relacionamento com pessoas – lidar com todos os tipos de clientes em todos os tipos de situações.

Para o auditor bem-sucedido, as competências de relacionamento são obrigatórias. A empatia, por exemplo, permite que um auditor compreenda melhor a perspetiva do cliente à medida que o processo de auditoria progride.

Outra faceta das competências de relacionamento – especialmente para os auditores – é a capacidade de ouvir. Aqui poderá aplicar-se a “regra 80/20”, como proporção ideal de tempo dedicada a ouvir versus falar. A escuta ativa que procura compreender deve estar presente nas competências de um auditor.

O futuro de auditoria está perante grandes desafios. Esses desafios devem ser reconhecidos e a profissão de auditoria, sem dúvida, continuará a mudar, e para garantir sucesso é necessário evoluir e inovar.