DFK | Todos os negócios serão afetados pela doença Covid 19

30/03/2020 -   Todos os negócios serão afetados pela doença Covid 19

Um negócio que não consiga gerar o volume de liquidez necessário é como um corpo humano sem oxigénio: não pode funcionar!

Os negócios não entram em falência por falta de lucros. É a falta de liquidez que os mata.

Estas afirmações sempre se aplicaram aos negócios, mas a cura estava fundamentalmente na mão das empresas.

Na atual situação de exceção, caraterizada por uma enorme incerteza, que esperamos que seja temporária, a cura depende das decisões das empresas, mas estará muito dependente das medidas e apoios concedidos pelo Estado e pelas Instituições Financeiras que permitam às empresas o oxigénio necessário. Leia-se o dinheiro para que possam sobreviver pelo menos nos próximos 3 a 6 meses.  

Nestas circunstâncias, em que por um lado lutamos contra uma emergência de saúde, lutamos por outro lado, contra uma crise económica. Ambas matam o negócio, o emprego e a economia. Mas, deixemos a área da saúde para os especialistas, o que nos compete a nós é trabalhar na área dos negócios.

Neste âmbito podemos protestar pelo facto das medidas de ajuda não serem suficientes, não terem envolvidos os montantes que achamos adequados mas, todos sabemos que os recursos são limitados. Há que confiar que o Governo não pretende matar as empresas.

Sabemos que uma grande parte das empresas não têm alternativa senão adotar o regime de Lay Off simplificado seja por redução ou suspensão do período de trabalho. É quase seguro que para financiar a componente dos salários que cabe à segurança social e outros gastos que são permanentes tenham que aceder às linhas de crédito Covid 19, o que  implica um aumento do crédito e por conseguinte uma diminuição da solvabilidade. Nestas circunstancias, e tal como nas medidas de flexibilização de obrigações fiscais, convêm lembrarmos que se tratam de financiamentos que não são a fundo perdido, pelo que se tratam de importantes decisões e por conseguinte terão de ser ponderadas com rigor, quer quanto ao valor a solicitar ao banco, quer quanto ao custo do dinheiro ainda que seja esperada uma taxa de juro baixa.

Sabemos que a grande preocupação neste momento é sobreviver mas, atenção ao futuro: a empresa deverá preparar-se “para o que der e vier” e se o que vier for a retoma vamos com certeza precisar de mais dinheiro e para conseguirmos esse dinheiro não podemos ter uma empresa em agonia.

Os próximos tempos vão ser extremamente difíceis, e vão seguramente exigir um grande esforço de todos nomeadamente de empregadores, empregados, Estado e Instituições Financeiras. 

Neste contexto, recomenda-se a todos os que têm a responsabilidade de estar na primeira linha da gestão dos negócios que se mantenham bem informados, se necessário, bem assessorados, na elaboração dos possíveis cenários de negócio, quer para a atual fase de contenção onde impera a necessidade de liquidez, quer atentos às fases que se seguem: a fase da mitigação, que esperamos curta, e por fim a fase de relançamento.